{"id":2315,"date":"2026-08-18T17:59:16","date_gmt":"2026-08-18T20:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jrtx.com.br\/blog\/2026\/08\/18\/aula-17-bhyve-virtualizacao-nativa-no-freebsd\/"},"modified":"2026-08-18T17:59:16","modified_gmt":"2026-08-18T20:59:16","slug":"aula-17-bhyve-virtualizacao-nativa-no-freebsd","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jrtx.com.br\/blog\/2026\/08\/18\/aula-17-bhyve-virtualizacao-nativa-no-freebsd\/","title":{"rendered":"Aula 17: Bhyve \u2014 virtualiza\u00e7\u00e3o nativa no FreeBSD"},"content":{"rendered":"<p>Nesta Aula 17 do curso <strong>FreeBSD \u2014 Do Zero ao Avan\u00e7ado<\/strong>, vamos mergulhar no <strong>Bhyve<\/strong>, o hipervisor nativo do FreeBSD. O <strong>Bhyve<\/strong> \u00e9 uma pe\u00e7a central na estrat\u00e9gia de virtualiza\u00e7\u00e3o de muitos administradores de sistemas e engenheiros de infraestrutura que buscam desempenho, estabilidade e integra\u00e7\u00e3o profunda com o kernel do sistema operacional. Diferente de solu\u00e7\u00f5es como VirtualBox ou VMware, o <strong>Bhyve<\/strong> foi projetado especificamente para aproveitar as extens\u00f5es de virtualiza\u00e7\u00e3o de hardware presentes em processadores modernos da Intel e da AMD, oferecendo virtualiza\u00e7\u00e3o de primeira classe sem a necessidade de m\u00f3dulos propriet\u00e1rios ou camadas de abstra\u00e7\u00e3o excessivas. Ao longo desta aula, voc\u00ea vai entender por que o <strong>Bhyve<\/strong> se tornou uma escolha popular para ambientes de produ\u00e7\u00e3o, laborat\u00f3rios de testes e consolida\u00e7\u00e3o de servidores no ecossistema FreeBSD.<\/p>\n<p>O objetivo desta aula \u00e9 fornecer uma base s\u00f3lida e, ao mesmo tempo, um guia pr\u00e1tico passo a passo para que voc\u00ea possa instalar, configurar e operar m\u00e1quinas virtuais com o <strong>Bhyve<\/strong> de forma imediata. Veremos a teoria por tr\u00e1s do hipervisor, os m\u00f3dulos de kernel necess\u00e1rios, a cria\u00e7\u00e3o de dispositivos virtuais de rede e armazenamento, e a inicializa\u00e7\u00e3o de sistemas convidados como FreeBSD e distribui\u00e7\u00f5es Linux. A cada etapa, ser\u00e3o apresentados comandos reais, explica\u00e7\u00f5es linha por linha e sa\u00eddas esperadas do terminal, garantindo que voc\u00ea possa acompanhar o processo em seu pr\u00f3prio ambiente de laborat\u00f3rio sem lacunas de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta aula tem n\u00edvel intermedi\u00e1rio e assume que voc\u00ea j\u00e1 concluiu as aulas anteriores do curso, nas quais instalamos e configuramos o FreeBSD, entendemos a hierarquia de diret\u00f3rios, o gerenciamento de pacotes e a administra\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o executou uma instala\u00e7\u00e3o m\u00ednima do FreeBSD, recomendamos fortemente revisar a <strong>Aula 3<\/strong> e a <strong>Aula 6<\/strong> do curso antes de prosseguir. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ter acesso a uma m\u00e1quina f\u00edsica ou a um ambiente de laborat\u00f3rio com suporte a virtualiza\u00e7\u00e3o aninhada habilitado na BIOS\/UEFI, pois o <strong>Bhyve<\/strong> depende diretamente de recursos de CPU como VT-x\/EPT (Intel) ou AMD-V\/RVI (AMD) para funcionar corretamente.<\/p>\n<p>Ao final desta aula, voc\u00ea ser\u00e1 capaz de criar, iniciar, pausar e destruir m\u00e1quinas virtuais usando o <strong>Bhyve<\/strong>, configurar redes bridge com interfaces TAP, provisionar discos virtuais, gerenciar o ciclo de vida das VMs com ferramentas nativas como <strong>bhyvectl<\/strong> e <strong>vmrun.sh<\/strong>, e diagnosticar problemas comuns de virtualiza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m apresentaremos boas pr\u00e1ticas adotadas em nossos projetos na <strong>JRT Technology Solutions<\/strong>, onde nossos especialistas utilizam diariamente o <strong>Bhyve<\/strong> para consolidar cargas de trabalho em servidores FreeBSD com alta disponibilidade e efici\u00eancia energ\u00e9tica. Vamos come\u00e7ar.<\/p>\n<h3>O que voc\u00ea vai aprender nesta aula<\/h3>\n<p>Esta aula foi estruturada para transformar voc\u00ea de um iniciante em virtualiza\u00e7\u00e3o no FreeBSD em um operador confiante do <strong>Bhyve<\/strong>. Abaixo est\u00e1 a lista completa dos objetivos de aprendizagem que voc\u00ea dominar\u00e1 ao final do conte\u00fado:<\/p>\n<ul>\n<li>Compreender os fundamentos de virtualiza\u00e7\u00e3o por hardware e o papel do <strong>Bhyve<\/strong> como hipervisor nativo do FreeBSD.<\/li>\n<li>Verificar se o processador do seu servidor ou esta\u00e7\u00e3o de trabalho suporta as extens\u00f5es necess\u00e1rias para o <strong>Bhyve<\/strong>.<\/li>\n<li>Carregar e habilitar corretamente os m\u00f3dulos de kernel <strong>vmm<\/strong>, <strong>nmdm<\/strong> e as interfaces de rede <strong>if_tap<\/strong> e <strong>if_bridge<\/strong>.<\/li>\n<li>Configurar o dispositivo <strong>\/dev\/vmm<\/strong> e as permiss\u00f5es adequadas para usu\u00e1rios administradores.<\/li>\n<li>Criar discos virtuais com arquivos esparsos e discos ZFS zvol, escolhendo o formato mais adequado ao seu cen\u00e1rio.<\/li>\n<li>Inicializar uma m\u00e1quina virtual FreeBSD usando <strong>bhyveload<\/strong> e uma VM Linux usando firmware UEFI.<\/li>\n<li>Construir uma rede bridge para conectar as m\u00e1quinas virtuais \u00e0 rede f\u00edsica, com configura\u00e7\u00e3o persistente no <strong>\/etc\/rc.conf<\/strong>.<\/li>\n<li>Utilizar ferramentas de gerenciamento como <strong>bhyvectl<\/strong>, <strong>bhyve-list<\/strong> e o script <strong>vmrun.sh<\/strong> para monitorar e controlar VMs.<\/li>\n<li>Diagnosticar e resolver erros comuns de inicializa\u00e7\u00e3o, permiss\u00f5es e configura\u00e7\u00e3o de rede no <strong>Bhyve<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Pr\u00e9-requisitos e Ambiente<\/h3>\n<p>Antes de iniciar a configura\u00e7\u00e3o do <strong>Bhyve<\/strong>, \u00e9 fundamental garantir que o ambiente atenda aos requisitos m\u00ednimos. Em nossos projetos na <strong>JRT Technology Solutions<\/strong>, sempre come\u00e7amos validando o hardware e o sistema operacional para evitar surpresas durante a implanta\u00e7\u00e3o. O primeiro pr\u00e9-requisito \u00e9 um sistema FreeBSD instalado e atualizado \u2014 recomendamos o <strong>FreeBSD 13.2 ou superior<\/strong>, embora o <strong>Bhyve<\/strong> j\u00e1 esteja dispon\u00edvel de forma est\u00e1vel desde o FreeBSD 10.0. Execute o comando <strong>freebsd-version<\/strong> para confirmar a vers\u00e3o do seu sistema:<\/p>\n<pre><code># Verifica a vers\u00e3o do FreeBSD instalada\nfreebsd-version\n\n# Atualiza o reposit\u00f3rio de pacotes e o sistema base, se necess\u00e1rio\nfreebsd-update fetch install\npkg update && pkg upgrade<\/code><\/pre>\n<p>Al\u00e9m do sistema operacional, o processador deve suportar virtualiza\u00e7\u00e3o por hardware. Em processadores Intel, os recursos necess\u00e1rios s\u00e3o <strong>VT-x<\/strong> (Virtualization Technology) e <strong>EPT<\/strong> (Extended Page Tables). Em processadores AMD, s\u00e3o <strong>AMD-V<\/strong> (Secure Virtual Machine) e <strong>RVI<\/strong> (Rapid Virtualization Indexing). Esses recursos normalmente est\u00e3o desabilitados por padr\u00e3o na BIOS\/UEFI de muitos servidores e esta\u00e7\u00f5es de trabalho. Acesse o setup da placa-m\u00e3e durante o boot e procure por op\u00e7\u00f5es como &#8220;Intel Virtualization Technology&#8221;, &#8220;VT-x&#8221;, &#8220;AMD-V&#8221; ou &#8220;SVM Mode&#8221;. Habilite-as e salve as configura\u00e7\u00f5es antes de continuar.<\/p>\n<p>Para verificar se o FreeBSD reconhece o suporte \u00e0 virtualiza\u00e7\u00e3o, utilize o comando <strong>sysctl<\/strong> e analise as flags do processador com <strong>dmesg<\/strong>. A sa\u00edda esperada deve conter as strings <strong>VMX<\/strong> e <strong>EPT<\/strong> para Intel, ou <strong>SVM<\/strong> e <strong>NPT<\/strong> para AMD. Execute:<\/p>\n<pre><code># Verifica as features da CPU no kernel\ndmesg | grep -E \"VMX|SVM|EPT|NPT\"\n\n# Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel consultar diretamente as features via sysctl\nsysctl hw.vmm\nsysctl kern.vm_guest<\/code><\/pre>\n<p>A quantidade de mem\u00f3ria RAM dispon\u00edvel tamb\u00e9m \u00e9 um fator cr\u00edtico. Cada m\u00e1quina virtual criada com o <strong>Bhyve<\/strong> reservar\u00e1 a quantidade de RAM especificada no momento da execu\u00e7\u00e3o. Recomendamos que o host tenha, no m\u00ednimo, <strong>8 GB de RAM<\/strong> para executar duas VMs de teste simult\u00e2neas, al\u00e9m de espa\u00e7o em disco suficiente para as imagens ISO e discos virtuais. Se voc\u00ea utiliza ZFS, ter\u00e1 a vantagem de criar <strong>zvols<\/strong>, que s\u00e3o volumes de bloco eficientes para armazenamento das VMs. Abordaremos esse t\u00f3pico mais adiante.<\/p>\n<p>Por fim, tenha em mente que, para usu\u00e1rios n\u00e3o root operarem o <strong>Bhyve<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio pertencer ao grupo <strong>vmm<\/strong> e ter permiss\u00f5es de leitura\/grava\u00e7\u00e3o em <strong>\/dev\/vmm<\/strong>. Durante a instala\u00e7\u00e3o, configuraremos esses detalhes. Se voc\u00ea est\u00e1 seguindo este curso em um ambiente de laborat\u00f3rio virtualizado, como um VirtualBox ou VMware, certifique-se de habilitar a virtualiza\u00e7\u00e3o aninhada no software de virtualiza\u00e7\u00e3o \u2014 caso contr\u00e1rio, o <strong>Bhyve<\/strong> n\u00e3o conseguir\u00e1 inicializar as VMs e voc\u00ea ver\u00e1 erros como &#8220;SVM\/VMX not available&#8221;.<\/p>\n<h3>Conceitos Fundamentais do Bhyve<\/h3>\n<p>O <strong>Bhyve<\/strong>, pronunciado &#8220;beehive&#8221;, \u00e9 um hipervisor do tipo 2 que utiliza as instru\u00e7\u00f5es de virtualiza\u00e7\u00e3o assistida por hardware para executar m\u00e1quinas virtuais com alto desempenho. Seu nome \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 arquitetura que utiliza as extens\u00f5es de virtualiza\u00e7\u00e3o da CPU para criar ambientes isolados, chamados de <em>virtual machines<\/em> ou VMs. Ao contr\u00e1rio de hipervisores do tipo 1, como o Xen, o <strong>Bhyve<\/strong> executa como um processo do usu\u00e1rio sobre o kernel do FreeBSD, mas se beneficia diretamente do suporte nativo a EPT\/RVI e VT-x\/AMD-V para reduzir a sobrecarga de virtualiza\u00e7\u00e3o. Isso significa que o <strong>Bhyve<\/strong> n\u00e3o emula um processador completo; em vez disso, ele permite que o c\u00f3digo da VM execute diretamente no hardware, enquanto o hipervisor gerencia os eventos privilegiados.<\/p>\n<p>Entre os componentes principais do <strong>Bhyve<\/strong>, destacam-se o utilit\u00e1rio <strong>bhyve(8)<\/strong>, respons\u00e1vel por executar as m\u00e1quinas virtuais; o <strong>bhyvectl(8)<\/strong>, usado para controlar o estado das VMs (iniciar, pausar, destruir); o <strong>bhyveload(8)<\/strong>, que carrega o kernel do sistema convidado FreeBSD na mem\u00f3ria da VM antes da execu\u00e7\u00e3o; e o <strong>vmrun.sh<\/strong>, um script auxiliar fornecido pelo FreeBSD que simplifica o gerenciamento de VMs. Para sistemas operacionais convidados que n\u00e3o sejam FreeBSD, como distribui\u00e7\u00f5es Linux ou Windows, utilizamos o firmware UEFI fornecido pelo pacote <strong>edk2-bhyve<\/strong> ou pelo port <strong>sysutils\/uefi-edk2-bhyve<\/strong>, que permite o boot via <strong>grub2-bhyve<\/strong> ou diretamente com <strong>bhyve -l bootrom<\/strong>.<\/p>\n<p>A virtualiza\u00e7\u00e3o de dispositivos no <strong>Bhyve<\/strong> \u00e9 amplamente baseada no padr\u00e3o <strong>VirtIO<\/strong>, um conjunto de drivers paravirtualizados que oferecem excelente desempenho para discos, redes e consoles. Em vez de emular hardware legado como placas de rede Intel PRO\/1000 ou controladoras SATA, o <strong>Bhyve<\/strong> pode expor dispositivos <strong>virtio-blk<\/strong> para armazenamento, <strong>virtio-net<\/strong> para rede e <strong>virtio-console<\/strong> para acesso serial. Os sistemas convidados devem possuir drivers VirtIO instalados \u2014 o FreeBSD j\u00e1 os inclui por padr\u00e3o, e as distribui\u00e7\u00f5es Linux modernas tamb\u00e9m t\u00eam suporte nativo. Em convidados Windows, \u00e9 necess\u00e1rio instalar os drivers <strong>VirtIO<\/strong> manualmente.<\/p>\n<p>Outro conceito importante \u00e9 o <strong>nmdm(4)<\/strong>, o driver de dispositivos de modem nulo usado pelo <strong>Bhyve<\/strong> para fornecer consoles seriais \u00e0s VMs. Quando voc\u00ea especifica <strong>-l com1,\/dev\/nmdm0A<\/strong> no comando do <strong>bhyve<\/strong>, o sistema cria um par de dispositivos <strong>\/dev\/nmdm0A<\/strong> e <strong>\/dev\/nmdm0B<\/strong>; o primeiro \u00e9 conectado \u00e0 VM, e o segundo pode ser acessado com <strong>cu -l \/dev\/nmdm0B<\/strong> para interagir com o console. Essa abordagem \u00e9 essencial para gerenciar VMs headless, ou seja, sem interface gr\u00e1fica, em servidores remotos.<\/p>\n<p>A tabela a seguir compara o <strong>Bhyve<\/strong> com outras solu\u00e7\u00f5es de virtualiza\u00e7\u00e3o comuns, destacando suas caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas e casos de uso:<\/p>\n<table border=\"1\" cellpadding=\"8\" cellspacing=\"0\">\n<thead>\n<tr>\n<th>Caracter\u00edstica<\/th>\n<th>Bhyve<\/th>\n<th>VirtualBox<\/th>\n<th>VMware ESXi<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Tipo de hipervisor<\/td>\n<td>Tipo 2 nativo no FreeBSD<\/td>\n<td>Tipo 2 com drivers pr\u00f3prios<\/td>\n<td>Tipo 1 bare-metal<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Integra\u00e7\u00e3o com FreeBSD<\/td>\n<td>Excelente, usa m\u00f3dulos do kernel<\/td>\n<td>Boa, mas requer m\u00f3dulos adicionais<\/td>\n<td>Independente do SO<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Desempenho de CPU<\/td>\n<td>Muito alto, com virtualiza\u00e7\u00e3o assistida<\/td>\n<td>Alto, mas com overhead<\/td>\n<td>Muito alto, otimizado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Dispositivos VirtIO<\/td>\n<td>Suportados nativamente<\/td>\n<td>Parcial<\/td>\n<td>Suportados<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gerenciamento<\/td>\n<td>CLI nativa (bhyve, bhyvectl)<\/td>\n<td>GUI e CLI<\/td>\n<td>vSphere Client e CLI<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Licen\u00e7a<\/td>\n<td>BSD<\/td>\n<td>GPL<\/td>\n<td>Propriet\u00e1ria<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3>Instalando e habilitando o Bhyve no FreeBSD<\/h3>\n<p>O processo de instala\u00e7\u00e3o do <strong>Bhyve<\/strong> no FreeBSD \u00e9 relativamente simples, mas exige aten\u00e7\u00e3o a detalhes de configura\u00e7\u00e3o do kernel e do subsistema de dispositivos. O <strong>Bhyve<\/strong> faz parte do sistema base, portanto n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio instalar pacotes adicionais para usar a funcionalidade b\u00e1sica. No entanto, como vimos, ele depende de m\u00f3dulos de kernel que precisam ser carregados. Em nossos projetos na <strong>JRT Technology Solutions<\/strong>, padronizamos o carregamento dos m\u00f3dulos <strong>vmm<\/strong>, <strong>nmdm<\/strong>, <strong>if_tap<\/strong> e <strong>if_bridge<\/strong> no arquivo <strong>\/boot\/loader.conf<\/strong>, garantindo que o suporte ao hipervisor esteja dispon\u00edvel desde o boot do sistema.<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 carregar os m\u00f3dulos manualmente para testar a compatibilidade com o hardware. Execute os comandos a seguir como root. O m\u00f3dulo <strong>vmm<\/strong> \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do <strong>Bhyve<\/strong>, respons\u00e1vel por criar e gerenciar as m\u00e1quinas virtuais no n\u00edvel do kernel. O m\u00f3dulo <strong>nmdm<\/strong> fornece os dispositivos de console serial. Os m\u00f3dulos <strong>if_tap<\/strong> e <strong>if_bridge<\/strong> s\u00e3o necess\u00e1rios para a cria\u00e7\u00e3o de interfaces de rede TAP e bridges Ethernet, respectivamente. Vamos execut\u00e1-los e analisar a sa\u00edda:<\/p>\n<pre><code># Carrega o m\u00f3dulo principal do hipervisor Bhyve\nkldload vmm\n\n# Carrega o m\u00f3dulo de dispositivos de console serial (null modem)\nkldload nmdm\n\n# Carrega o m\u00f3dulo para interfaces TAP (necess\u00e1rio para rede das VMs)\nkldload if_tap\n\n# Carrega o m\u00f3dulo para bridges Ethernet\nkldload if_bridge\n\n# Verifica se os m\u00f3dulos foram carregados corretamente\nkldstat | grep -E \"vmm|nmdm|tap|bridge\"<\/code><\/pre>\n<pre><code class=\"output\">Id Refs Address                Size Name\n 5    1 0xffffffff83200000   4d2c8 vmm.ko\n 6    1 0xffffffff8324e000    4d10 nmdm.ko\n 7    1 0xffffffff83253000   10f40 if_tap.ko\n 8    1 0xffffffff83264000   15a00 if_bridge.ko<\/code><\/pre>\n<p>Na sa\u00edda acima, vemos os quatro m\u00f3dulos carregados com seus respectivos identificadores e tamanhos. O m\u00f3dulo <strong>vmm.ko<\/strong> \u00e9 o mais importante; sem ele, o dispositivo <strong>\/dev\/vmm<\/strong> n\u00e3o ser\u00e1 criado e o comando <strong>bhyve<\/strong> falhar\u00e1 com &#8220;No such file or directory&#8221;. Ap\u00f3s confirmar que o hardware \u00e9 suportado, devemos tornar o carregamento persistente. Edite o arquivo <strong>\/boot\/loader.conf<\/strong> com seu editor preferido e adicione as seguintes linhas. Se o arquivo n\u00e3o existir, crie-o com o conte\u00fado completo abaixo:<\/p>\n<pre><code># \/boot\/loader.conf \u2014 carregamento autom\u00e1tico de m\u00f3dulos para o Bhyve\n\n# M\u00f3dulo principal do hipervisor\nvmm_load=\"YES\"\n\n# M\u00f3dulo de console serial para VMs\nnmdm_load=\"YES\"\n\n# M\u00f3dulos de rede para TAP e bridge\nif_tap_load=\"YES\"\nif_bridge_load=\"YES\"<\/code><\/pre>\n<p>Cada linha do arquivo <strong>\/boot\/loader.conf<\/strong> utiliza a sintaxe <strong>nome_do_modulo_load=&#8221;YES&#8221;<\/strong> para instruir o carregador de boot a carregar o m\u00f3dulo no in\u00edcio do sistema. Com essa configura\u00e7\u00e3o, o <strong>Bhyve<\/strong> estar\u00e1 pronto para uso a cada reinicializa\u00e7\u00e3o, sem a necessidade de comandos <strong>kldload<\/strong> manuais. Para aplicar as altera\u00e7\u00f5es imediatamente sem reiniciar, voc\u00ea pode executar os comandos <strong>kldload vmm<\/strong>, <strong>kldload nmdm<\/strong>, <strong>kldload if_tap<\/strong> e <strong>kldload if_bridge<\/strong> novamente, pois se os m\u00f3dulos j\u00e1 estiverem carregados, o comando retornar\u00e1 um erro inofensivo de que o m\u00f3dulo j\u00e1 existe.<\/p>\n<p>Agora precisamos configurar as permiss\u00f5es do dispositivo <strong>\/dev\/vmm<\/strong>. Por padr\u00e3o, apenas o usu\u00e1rio root pode acessar esse dispositivo. Para permitir que usu\u00e1rios do grupo <strong>vmm<\/strong> gerenciem VMs, editamos o arquivo <strong>\/etc\/devfs.rules<\/strong>. Mostre o conte\u00fado completo abaixo e, em seguida, crie o grupo e adicione seu usu\u00e1rio administrador:<\/p>\n<pre><code># \/etc\/devfs.rules \u2014 regras para o device filesystem\n\n# Regra n\u00famero 10: permite que o grupo vmm acesse o dispositivo vmm\n[localrules=10]\nadd path 'vmm' mode 0660 group vmm\nadd path 'vmm.io' mode 0660 group vmm\nadd path 'nmdm*' mode 0660 group vmm\nadd path 'tap*' mode 0660 group vmm<\/code><\/pre>\n<p>O arquivo <strong>\/etc\/devfs.rules<\/strong> define regras que s\u00e3o aplicadas ao sistema de arquivos de dispositivos <strong>devfs<\/strong> durante o boot. A primeira linha define um conjunto de regras chamado <strong>localrules<\/strong> com n\u00famero 10. As linhas seguintes utilizam o comando <strong>add path<\/strong> para modificar as permiss\u00f5es dos dispositivos especificados. A regra <strong>mode 0660 group vmm<\/strong> concede leitura e grava\u00e7\u00e3o para o dono (root) e para o grupo <strong>vmm<\/strong>, negando acesso a outros usu\u00e1rios. Os dispositivos <strong>vmm<\/strong>, <strong>vmm.io<\/strong>, <strong>nmdm*<\/strong> e <strong>tap*<\/strong> s\u00e3o os principais pontos de acesso do <strong>Bhyve<\/strong> e de sua infraestrutura de rede.<\/p>\n<p>Para ativar as regras do <strong>devfs<\/strong>, edite tamb\u00e9m o arquivo <strong>\/etc\/rc.conf<\/strong> e adicione a vari\u00e1vel <strong>devfs_system_ruleset=&#8221;localrules&#8221;<\/strong>. Em seguida, crie o grupo <strong>vmm<\/strong> e adicione o usu\u00e1rio desejado. Supondo que o usu\u00e1rio seja <strong>admin<\/strong>, execute:<\/p>\n<pre><code># Cria o grupo vmm (se ele ainda n\u00e3o existir)\npw groupadd vmm -M admin\n\n# Adiciona um usu\u00e1rio ao grupo vmm (exemplo com usu\u00e1rio \"admin\")\npw groupmod vmm -m admin\n\n# Habilita as regras do devfs no arquivo \/etc\/rc.conf\nsysrc devfs_system_ruleset=\"localrules\"\n\n# Aplica as regras imediatamente sem reiniciar\nservice devfs restart<\/code><\/pre>\n<pre><code class=\"output\">devfs_system_ruleset: localrules -> localrules\nStopping devfs.\nStarting devfs.<\/code><\/pre>\n<p>Na sa\u00edda, vemos que a vari\u00e1vel <strong>devfs_system_ruleset<\/strong> foi definida com o valor <strong>localrules<\/strong> e que o servi\u00e7o <strong>devfs<\/strong> foi reiniciado. Ap\u00f3s o rein\u00edcio do servi\u00e7o, os dispositivos <strong>\/dev\/vmm<\/strong> e <strong>\/dev\/vmm.io<\/strong> devem estar acess\u00edveis ao grupo <strong>vmm<\/strong>. Voc\u00ea pode verificar as permiss\u00f5es com o comando <strong>ls -l \/dev\/vmm* \/dev\/nmdm*<\/strong>. A sa\u00edda deve mostrar o grupo <strong>vmm<\/strong> nas permiss\u00f5es. Caso o dispositivo n\u00e3o apare\u00e7a, verifique se o m\u00f3dulo <strong>vmm<\/strong> est\u00e1 carregado com <strong>kldstat | grep vmm<\/strong>.<\/p>\n<h3>Criando sua primeira m\u00e1quina virtual com Bhyve<\/h3>\n<p>Agora que o <strong>Bhyve<\/strong> est\u00e1 instalado e configurado, vamos criar nossa primeira m\u00e1quina virtual. Utilizaremos dois exemplos pr\u00e1ticos: uma VM com sistema convidado FreeBSD, que \u00e9 o cen\u00e1rio mais simples e nativo, e uma VM com uma distribui\u00e7\u00e3o Linux, que requer o uso de firmware UEFI. Essa dualidade permitir\u00e1 que voc\u00ea compreenda as diferen\u00e7as no processo de boot e no carregamento do kernel. Antes de iniciar, crie um diret\u00f3rio para armazenar os discos virtuais e as imagens ISO. Em nossos servidores na <strong>JRT Technology Solutions<\/strong>, utilizamos a estrutura <strong>\/vm<\/strong> para armazenar todos os artefatos das m\u00e1quinas virtuais, facilitando o backup e a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 criar o diret\u00f3rio <strong>\/vm<\/strong> e obter uma imagem ISO do sistema convidado. Para o exemplo com FreeBSD, voc\u00ea pode baixar a imagem m\u00ednima do FreeBSD a partir do site oficial. Para o exemplo com Linux, baixaremos o Ubuntu Server 22.04 LTS. Execute os comandos abaixo:<\/p>\n<pre><code># Cria o diret\u00f3rio base para as m\u00e1quinas virtuais\nmkdir -p \/vm\/iso \/vm\/disks\n\n# Baixa a imagem ISO m\u00ednima do FreeBSD (exemplo com FreeBSD 13.2)\nfetch -o \/vm\/iso\/FreeBSD-13.2-RELEASE-amd64-disc1.iso https:\/\/download.freebsd.org\/releases\/amd64\/amd64\/ISO-IMAGES\/13.2\/FreeBSD-13.2-RELEASE-amd64-disc1.iso\n\n# Baixa a imagem ISO do Ubuntu Server 22.04 LTS (para o exemplo Linux)\nfetch -o \/vm\/iso\/ubuntu-22.04.3-live-server-amd64.iso https:\/\/releases.ubuntu.com\/22.04.3\/ubuntu-22.04.3-live-server-amd64.iso<\/code><\/pre>\n<p>Para criar o disco virtual da VM FreeBSD, usaremos o comando <strong>truncate<\/strong> para gerar um arquivo esparso de 10 GB. Um arquivo esparso ocupa apenas o espa\u00e7o realmente utilizado, o que economiza armazenamento inicial. O comando <strong>truncate -s 10G<\/strong> aloca o arquivo <strong>freebsd-guest.img<\/strong> com tamanho l\u00f3gico de 10 GB, mas ele crescer\u00e1 conforme os dados forem gravados. Em alternativa, se voc\u00ea estiver usando ZFS, pode criar um <strong>zvol<\/strong> com o comando <strong>zfs create -V 10G zroot\/vm-freebsd-disk<\/strong>, que oferece melhor desempenho e snapshots nativos. Para este tutorial, usaremos arquivos esparsos para simplificar o gerenciamento:<\/p>\n<pre><code># Cria um disco virtual esparso de 10 GB para a VM FreeBSD\ntruncate -s 10G \/vm\/disks\/freebsd-guest.img\n\n# Cria um disco virtual esparso de 15 GB para a VM Ubuntu\ntruncate -s 15G \/vm\/disks\/ubuntu-guest.img\n\n# Verifica o tamanho l\u00f3gico e o espa\u00e7o ocupado em disco\nls -lh \/vm\/disks\/<\/code><\/pre>\n<pre><code class=\"output\">total 20480\n-rw-r--r--  1 root  wheel    10G Aug 18 09:15 freebsd-guest.img\n-rw-r--r--  1 root  wheel    15G Aug 18 09:15 ubuntu-guest.img<\/code><\/pre>\n<p>Na sa\u00edda, o comando <strong>ls -lh<\/strong> mostra que os arquivos t\u00eam tamanho l\u00f3gico de 10G e 15G, respectivamente. Como s\u00e3o arquivos esparsos, o espa\u00e7o real ocupado no disco \u00e9 pequeno (apenas alguns blocos). Voc\u00ea pode confirmar isso com <strong>du -h \/vm\/disks\/freebsd-guest.img<\/strong>. Agora, vamos iniciar a VM FreeBSD. O <strong>Bhyve<\/strong> oferece dois m\u00e9todos para boot de convidados FreeBSD: usar o <strong>bhyveload<\/strong> para carregar o kernel diretamente do CD ou disco, ou usar firmware UEFI. Utilizaremos o <strong>bhyveload<\/strong> por ser o m\u00e9todo mais tradicional e eficiente para FreeBSD. O comando abaixo carrega o kernel do FreeBSD a partir do disco virtual e, em seguida, executa o <strong>bhyve<\/strong> com os dispositivos VirtIO:<\/p>\n<pre><code># Carrega o kernel do FreeBSD na mem\u00f3ria da VM (a partir do disco virtual)\nbhyveload -c \/dev\/nmdm0A -m 2048M -d \/vm\/disks\/freebsd-guest.img freebsd-guest\n\n# Executa a m\u00e1quina virtual FreeBSD com 2 GB de RAM e 2 CPUs\nbhyve -c 2 -m 2048M -A -H -P \\\n  -s 0:0,hostbridge \\\n  -s 1:0,lpc \\\n  -s 2:0,virtio-blk,\/vm\/disks\/freebsd-guest.img \\\n  -s 3:0,virtio-net,tap0 \\\n  -l com1,\/dev\/nmdm0A \\\n  freebsd-guest<\/code><\/pre>\n<p>Vamos analisar o comando <strong>bhyve<\/strong> linha por linha. A flag <strong>-c 2<\/strong> define o n\u00famero de CPUs virtuais alocadas \u00e0 VM. A flag <strong>-m 2048M<\/strong> aloca 2048 megabytes de RAM. A flag <strong>-A<\/strong> habilita a emula\u00e7\u00e3o do APIC (Advanced Programmable Interrupt Controller), necess\u00e1ria para sistemas multiprocessadores. A flag <strong>-H<\/strong> faz com que o <strong>Bhyve<\/strong> mantenha a VM em execu\u00e7\u00e3o mesmo quando o processo pai recebe um sinal SIGHUP, \u00fatil para sess\u00f5es SSH. A flag <strong>-P<\/strong> cria a VM em modo <em>paused<\/em>, o que \u00e9 recomendado para que voc\u00ea possa configurar dispositivos adicionais antes de iniciar a execu\u00e7\u00e3o \u2014 por\u00e9m, neste exemplo, a VM ser\u00e1 despausada automaticamente quando o comando <strong>bhyve<\/strong> terminar de configurar os dispositivos.<\/p>\n<p>Os par\u00e2metros <strong>-s<\/strong> especificam os dispositivos PCI virtuais. O slot <strong>0:0,hostbridge<\/strong> cria a ponte de barramento padr\u00e3o. O slot <strong>1:0,lpc<\/strong> adiciona um controlador LPC, que fornece os dispositivos de console serial e outros perif\u00e9ricos legados. O slot <strong>2:0,virtio-blk,\/vm\/disks\/freebsd-guest.img<\/strong> conecta o disco virtual ao barramento VirtIO, oferecendo desempenho de armazenamento pr\u00f3ximo ao nativo. O slot <strong>3:0,virtio-net,tap0<\/strong> conecta uma interface de rede VirtIO \u00e0 interface TAP chamada <strong>tap0<\/strong>, que ainda n\u00e3o criamos \u2014 faremos isso na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o. Por fim, <strong>-l com1,\/dev\/nmdm0A<\/strong> conecta o console serial \u00e0 UART COM1, permitindo acesso \u00e0 VM via <strong>\/dev\/nmdm0B<\/strong>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s executar os comandos acima, a VM FreeBSD iniciar\u00e1 a partir do disco virtual, que ainda n\u00e3o cont\u00e9m um sistema operacional. Para instalar o FreeBSD na VM, voc\u00ea deve primeiro anexar a imagem ISO ao slot de CD-ROM e modificar o comando <strong>bhyve<\/strong> para incluir <strong>-s 4:0,ahci-cd,\/vm\/iso\/FreeBSD-13.2-RELEASE-amd64-disc1.iso<\/strong>. O comando completo ficaria assim:<\/p>\n<pre><code># Inicia a instala\u00e7\u00e3o do FreeBSD na VM a partir da ISO\nbhyve -c 2 -m 2048M -A -H -P \\\n  -s 0:0,hostbridge \\\n  -s 1:0,lpc \\\n  -s 2:0,virtio-blk,\/vm\/disks\/freebsd-guest.img \\\n  -s 3:0,virtio-net,tap0 \\\n  -s 4:0,ahci-cd,\/vm\/iso\/FreeBSD-13.2-RELEASE-amd64-disc1.iso \\\n  -l com1,\/dev\/nmdm0A \\\n  freebsd-guest<\/code><\/pre>\n<p>O dispositivo <strong>ahci-cd<\/strong> emula um controlador SATA AHCI com um leitor de CD-ROM, permitindo que o instalador do FreeBSD acesse a m\u00eddia de instala\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s iniciar a VM, voc\u00ea pode conectar-se ao console serial com o comando <strong>cu -l \/dev\/nmdm0B<\/strong> e seguir o processo de instala\u00e7\u00e3o normalmente, como faria em um servidor f\u00edsico. Lembre-se de que, para o instalador FreeBSD reconhecer o disco VirtIO, o kernel do FreeBSD j\u00e1 possui o driver <strong>virtio_blk<\/strong> embutido, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios passos adicionais.<\/p>\n<p>Para o segundo exemplo, com Ubuntu Server, utilizaremos o firmware UEFI do pacote <strong>edk2-bhyve<\/strong>. Primeiro, instale o firmware e o utilit\u00e1rio <strong>grub2-bhyve<\/strong>. Em sistemas FreeBSD, esses componentes s\u00e3o obtidos via <strong>pkg<\/strong> ou ports. Execute:<\/p>\n<pre><code># Instala o firmware UEFI e o utilit\u00e1rio grub2-bhyve\npkg install -y edk2-bhyve grub2-bhyve\n\n# Cria um script de inicializa\u00e7\u00e3o para a VM Ubuntu usando UEFI\ncat &gt; \/vm\/start-ubuntu.sh &lt;&lt;'EOF'\n#!\/bin\/sh\n# Script para iniciar a VM Ubuntu com Bhyve usando firmware UEFI\nbhyve -c 2 -m 2048M -A -H -P \\\n  -s 0:0,hostbridge \\\n  -s 1:0,lpc \\\n  -s 2:0,virtio-blk,\/vm\/disks\/ubuntu-guest.img \\\n  -s 3:0,virtio-net,tap1 \\\n  -s 4:0,ahci-cd,\/vm\/iso\/ubuntu-22.04.3-live-server-amd64.iso \\\n  -l bootrom,\/usr\/local\/share\/uefi-firmware\/BHYVE_UEFI.fd \\\n  ubuntu-guest\nEOF\n\n# Torna o script execut\u00e1vel\nchmod +x \/vm\/start-ubuntu.sh<\/code><\/pre>\n<p>O par\u00e2metro <strong>-l bootrom,\/usr\/local\/share\/uefi-firmware\/BHYVE_UEFI.fd<\/strong> carrega o firmware UEFI na VM, substituindo o carregador <strong>bhyveload<\/strong>. Esse firmware permite que sistemas operacionais modernos com boot UEFI, como Ubuntu, Debian, CentOS e Rocky Linux, inicializem corretamente. A partir da\u00ed, o processo de instala\u00e7\u00e3o \u00e9 id\u00eantico ao de uma m\u00e1quina f\u00edsica: voc\u00ea se conecta ao console serial ou, no caso do Ubuntu, pode usar o console gr\u00e1fico VNC se adicionar o dispositivo <strong>fbuf<\/strong>. Para manter a simplicidade e o foco no <strong>Bhyve<\/strong>, utilizaremos apenas o console serial e uma instala\u00e7\u00e3o automatizada do Ubuntu por meio do instalador subiquity, acess\u00edvel via <strong>cu -l \/dev\/nmdm1B<\/strong> se configurarmos o console corretamente.<\/p>\n<h3>Configura\u00e7\u00e3o detalhada de rede: bridge, tap e conectividade<\/h3>\n<p>A rede \u00e9 um dos aspectos mais cr\u00edticos na configura\u00e7\u00e3o do <strong>Bhyve<\/strong>. Sem uma configura\u00e7\u00e3o adequada, as m\u00e1quinas virtuais ficam isoladas e inacess\u00edveis. O <strong>Bhyve<\/strong> utiliza o modelo de dispositivo <strong>virtio-net<\/strong>, que se conecta a uma interface <strong>tap<\/strong> no host. Cada interface <strong>tap<\/strong> \u00e9 um dispositivo virtual que representa o lado do host da conex\u00e3o de rede da VM. Para permitir que m\u00faltiplas VMs compartilhem a rede f\u00edsica do host, criamos uma <strong>bridge<\/strong> (ponte) que agrega as interfaces <strong>tap<\/strong> e a interface f\u00edsica, como <strong>em0<\/strong> ou <strong>igb0<\/strong>. Dessa forma, as VMs passam a participar da mesma rede local que o host, recebendo endere\u00e7os IP do mesmo servidor DHCP e podendo se comunicar com outros dispositivos.<\/p>\n<p>No FreeBSD, a configura\u00e7\u00e3o de bridges pode ser feita de duas formas: manualmente, com comandos <strong>ifconfig<\/strong>, ou de forma persistente, editando o arquivo <strong>\/etc\/rc.conf<\/strong>. Recomendamos sempre a configura\u00e7\u00e3o persistente para ambientes de produ\u00e7\u00e3o. Para este tutorial, criaremos uma bridge chamada <strong>bridge0<\/strong> e duas interfaces <strong>tap0<\/strong> e <strong>tap1<\/strong>, que ser\u00e3o conectadas \u00e0s VMs FreeBSD e Ubuntu, respectivamente. O primeiro passo \u00e9 identificar a interface f\u00edsica do host. Execute <strong>ifconfig -l<\/strong> para listar as interfaces. No exemplo, usaremos <strong>em0<\/strong> como interface f\u00edsica.<\/p>\n<p>Abaixo est\u00e1 o conte\u00fado completo do arquivo <strong>\/etc\/rc.conf<\/strong> j\u00e1 com as configura\u00e7\u00f5es de rede para o <strong>Bhyve<\/strong>. Este arquivo define as vari\u00e1veis que ser\u00e3o lidas pelos scripts de inicializa\u00e7\u00e3o do FreeBSD. Inclu\u00edmos tamb\u00e9m as vari\u00e1veis de <strong>devfs<\/strong> que configuramos anteriormente:<\/p>\n<pre><code># \/etc\/rc.conf \u2014 configura\u00e7\u00e3o de rede para o Bhyve\n\n# Hostname do servidor FreeBSD\nhostname=\"freebsd-host\"\n\n# Configura\u00e7\u00e3o da interface f\u00edsica\nifconfig_em0=\"DHCP\"\n\n# Cria\u00e7\u00e3o da bridge0 e adi\u00e7\u00e3o da interface f\u00edsica em0 como membro\ncloned_interfaces=\"bridge0 tap0 tap1\"\nifconfig_bridge0=\"addm em0 addm tap0 addm tap1 up\"\nifconfig_tap0=\"up\"\nifconfig_tap1=\"up\"\n\n# Habilita as regras do devfs para o grupo vmm\ndevfs_system_ruleset=\"localrules\"\n\n# Carregamento autom\u00e1tico dos m\u00f3dulos do Bhyve (refor\u00e7o)\nkld_list=\"vmm nmdm if_tap if_bridge\"<\/code><\/pre>\n<p>Vamos explicar cada linha do arquivo. A vari\u00e1vel <strong>cloned_interfaces=&#8221;bridge0 tap0 tap1&#8243;<\/strong> instrui o FreeBSD a criar as interfaces clon\u00e1veis <strong>bridge0<\/strong>, <strong>tap0<\/strong> e <strong>tap1<\/strong> durante o boot. A vari\u00e1vel <strong>ifconfig_bridge0=&#8221;addm em0 addm tap0 addm tap1 up&#8221;<\/strong> adiciona a interface f\u00edsica <strong>em0<\/strong> e as interfaces TAP <strong>tap0<\/strong> e <strong>tap1<\/strong> como membros da bridge <strong>bridge0<\/strong>. As vari\u00e1veis <strong>ifconfig_tap0=&#8221;up&#8221;<\/strong> e <strong>ifconfig_tap1=&#8221;up&#8221;<\/strong> ativam as interfaces TAP imediatamente. A vari\u00e1vel <strong>kld_list<\/strong> \u00e9 uma forma alternativa de carregar m\u00f3dulos no boot, embora j\u00e1 tenhamos configurado o <strong>loader.conf<\/strong>; ela \u00e9 redundante, mas \u00fatil para garantir que os m\u00f3dulos estejam carregados se a configura\u00e7\u00e3o do <strong>loader.conf<\/strong> for perdida.<\/p>\n<p>Para aplicar as configura\u00e7\u00f5es sem reiniciar o host, execute os comandos abaixo. Eles criam as interfaces, adicionam os membros \u00e0 bridge e ativam tudo. Em seguida, verifique o status da bridge com <strong>ifconfig bridge0<\/strong>:<\/p>\n<pre><code># Cria e configura a bridge0 e as interfaces TAP manualmente\nifconfig bridge0 create\nifconfig tap0 create\nifconfig tap1 create\nifconfig bridge0 addm em0 addm tap0 addm tap1 up\nifconfig tap0 up\nifconfig tap1 up\n\n# Verifica o status da bridge0\nifconfig bridge0<\/code><\/pre>\n<pre><code class=\"output\">bridge0: flags=8843&lt;UP,BROADCAST,RUNNING,SIMPLEX,MULTICAST&gt; metric 0 mtu 1500\n\tether 02:00:00:00:00:00\n\tid 00:00:00:00:00:00 priority 32768 hellotime 2 fwddelay 15\n\tmember: em0 flags=143&lt;LEARNING,DISCOVER,STP,AUTOEDGE,AUTOPTP&gt;\n\t        ifmaxaddr 0 port 1 priority 128 path cost 2000\n\tmember: tap0 flags=143&lt;LEARNING,DISCOVER,STP,AUTOEDGE,AUTOPTP&gt;\n\t        ifmaxaddr 0 port 7 priority 128 path cost 2000\n\tmember: tap1 flags=143&lt;LEARNING,DISCOVER,STP,AUTOEDGE,AUTOPTP&gt;\n\t        ifmaxaddr 0 port 8 priority 128 path cost 2000<\/code><\/pre>\n<p>A sa\u00edda do comando <strong>ifconfig bridge0<\/strong> mostra a bridge ativa com tr\u00eas membros: <strong>em0<\/strong>, <strong>tap0<\/strong> e <strong>tap1<\/strong>. O status <strong>RUNNING<\/strong> indica que a bridge est\u00e1 operacional. Agora, quando as VMs forem iniciadas com os par\u00e2metros <strong>virtio-net,tap0<\/strong> e <strong>virtio-net,tap1<\/strong>, seus tr\u00e1fegos ser\u00e3o encaminhados atrav\u00e9s da bridge para a rede f\u00edsica. Se o host receber IP via DHCP, as VMs tamb\u00e9m receber\u00e3o endere\u00e7os da mesma faixa, a menos que voc\u00ea configure endere\u00e7os est\u00e1ticos dentro dos convidados.<\/p>\n<p>\u00c9 importante mencionar que, em ambientes com firewall, talvez seja necess\u00e1rio liberar o tr\u00e1fego entre as interfaces da bridge. O FreeBSD possui filtragem de bridge integrada via <strong>pf<\/strong> ou <strong>ipfw<\/strong>. Por padr\u00e3o, todas as interfaces da bridge t\u00eam permiss\u00e3o de encaminhamento, mas se voc\u00ea utiliza <strong>pf<\/strong> com regras restritivas, adicione uma regra para permitir o tr\u00e1fego na bridge, como <strong>pass on bridge0 all<\/strong>. Em nossos projetos na <strong>JRT Technology Solutions<\/strong>, costumamos segmentar o tr\u00e1fego das VMs com VLANs e regras de firewall espec\u00edficas, mas isso foge ao escopo desta aula.<\/p>\n<h3>Gerenciando m\u00e1quinas virtuais com bhyvectl, bhyve-list e vmrun.sh<\/h3>\n<p>Depois de criar e iniciar suas VMs, voc\u00ea precisar\u00e1 gerenci\u00e1-las: listar VMs em execu\u00e7\u00e3o, pausar, retomar, destruir e monitorar o consumo de recursos. O FreeBSD fornece ferramentas nativas para o gerenciamento do <strong>Bhyve<\/strong>. A principal delas \u00e9 o <strong>bhyvectl<\/strong>, que permite controlar o ciclo de vida das VMs. O comando <strong>bhyve-list<\/strong>, introduzido recentemente, oferece uma sa\u00edda amig\u00e1vel com<\/p>\n<div style=\"margin:52px 0 40px;padding:36px 28px;background:linear-gradient(135deg,#0f172a 0%,#1a2744 100%);border:2px solid #25D366;border-radius:18px;text-align:center;box-shadow:0 4px 28px rgba(37,211,102,0.18)\">\n<p style=\"margin:0 0 10px;font-size:18px;color:#ffffff;font-weight:700;line-height:1.4\">Quer aprender na pr\u00e1tica com especialistas?<\/p>\n<p style=\"margin:0 0 28px;font-size:15px;color:#94a3b8;font-weight:400;line-height:1.6\">A JRT Technology Solutions oferece treinamentos e implementa\u00e7\u00e3o de FreeBSD para equipes corporativas.<\/p>\n<p>  <a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5521980606699&#038;text=Ol%C3%A1!%20Tenho%20interesse%20no%20treinamento%20de%20FreeBSD.&#038;type=phone_number&#038;app_absent=0\"\n     target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"\n     style=\"display:inline-flex;align-items:center;gap:12px;background:#25D366;color:#ffffff;font-family:-apple-system,BlinkMacSystemFont,'Segoe UI',sans-serif;font-size:16px;font-weight:700;padding:15px 32px;border-radius:100px;text-decoration:none;box-shadow:0 4px 16px rgba(37,211,102,0.45);letter-spacing:0.01em\"><br \/>\n    <svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"22\" height=\"22\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"#ffffff\"><path d=\"M17.472 14.382c-.297-.149-1.758-.867-2.03-.967-.273-.099-.471-.148-.67.15-.197.297-.767.966-.94 1.164-.173.199-.347.223-.644.075-.297-.15-1.255-.463-2.39-1.475-.883-.788-1.48-1.761-1.653-2.059-.173-.297-.018-.458.13-.606.134-.133.298-.347.446-.52.149-.174.198-.298.298-.497.099-.198.05-.371-.025-.52-.075-.149-.669-1.612-.916-2.207-.242-.579-.487-.5-.669-.51-.173-.008-.371-.01-.57-.01-.198 0-.52.074-.792.372-.272.297-1.04 1.016-1.04 2.479 0 1.462 1.065 2.875 1.213 3.074.149.198 2.096 3.2 5.077 4.487.709.306 1.262.489 1.694.625.712.227 1.36.195 1.871.118.571-.085 1.758-.719 2.006-1.413.248-.694.248-1.289.173-1.413-.074-.124-.272-.198-.57-.347m-5.421 7.403h-.004a9.87 9.87 0 01-5.031-1.378l-.361-.214-3.741.982.998-3.648-.235-.374a9.86 9.86 0 01-1.51-5.26c.001-5.45 4.436-9.884 9.888-9.884 2.64 0 5.122 1.03 6.988 2.898a9.825 9.825 0 012.893 6.994c-.003 5.45-4.437 9.884-9.885 9.884m8.413-18.297A11.815 11.815 0 0012.05 0C5.495 0 .16 5.335.157 11.892c0 2.096.547 4.142 1.588 5.945L.057 24l6.305-1.654a11.882 11.882 0 005.683 1.448h.005c6.554 0 11.89-5.335 11.893-11.893a11.821 11.821 0 00-3.48-8.413z\"\/><\/svg><br \/>\n    Falar no WhatsApp<br \/>\n  <\/a>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta Aula 17 do curso FreeBSD \u2014 Do Zero ao Avan\u00e7ado, vamos mergulhar no Bhyve, o hipervisor nativo do FreeBSD. 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