Cloudflare Radar lançamento: Researcher AI e conectividade AS-level

Sexta-feira, 7 de agosto de 2026. O Cloudflare Radar lançamento de novas funcionalidades chega em um momento em que a internet global enfrenta desafios sem precedentes: ataques DDoS ultrapassando 2 Tbps, adoção acelerada de HTTP/3 + QUIC, e a consolidação das arquiteturas de edge computing como padrão definitivo para aplicações modernas. O Radar — a plataforma de inteligência de internet da Cloudflare que processa dados agregados de mais de 1 em cada 5 requisições HTTP do planeta — acaba de receber dois blocos de funcionalidades que transformam a maneira como engenheiros de rede, pesquisadores de segurança e equipes de operações BGP compreendem a topologia da internet. Estamos falando do Radar Researcher, um assistente de IA que converte perguntas em linguagem natural em gráficos interativos com dados reais de tráfego e rotas, e dos novos widgets de conectividade AS-level e upstream providers, que expõem com granularidade inédita como qualquer AS alcança as redes Tier-1.

O que torna este Cloudflare Radar lançamento particularmente relevante para profissionais brasileiros é a visibilidade que ele oferece sobre rotas que impactam diretamente a latência entre o Brasil e os grandes hubs de conteúdo na América do Norte e Europa. Com a LGPD consolidada e uma crescente demanda por soberania de dados, entender os caminhos BGP que os pacotes percorrem deixou de ser curiosidade acadêmica — é requisito de compliance e otimização de custos. Empresas que operam data centers em São Paulo, Rio de Janeiro ou Fortaleza agora podem auditar visualmente quais provedores upstream estão transportando suas rotas e quantos saltos as separam dos backbones que realmente importam.

Desde seu lançamento em 2020, o Cloudflare Radar evoluiu de um painel de métricas agregadas para uma ferramenta de inteligência de rede com granularidade por país, ASN e até prefixo IP. A plataforma oferece dados sobre adoção de IPv6, penetração de HTTP/3, volume de tráfego de bots e padrões de ataques DDoS — tudo baseado no fluxo real que atravessa a rede da Cloudflare, que está presente em mais de 300 cidades em mais de 100 países. O AS13335, o sistema autônomo da Cloudflare, é um dos maiores do mundo e se conecta diretamente a milhares de redes, o que confere ao Radar uma perspectiva privilegiada sobre o estado da internet global. Agora, com o Cloudflare Radar lançamento do Researcher e das novas ferramentas de roteamento, essa plataforma dá um salto qualitativo: de observatório passivo para assistente ativo de tomada de decisão.

Neste post técnico, você vai mergulhar nos detalhes de cada nova funcionalidade, entender como elas se integram ao ecossistema Cloudflare One e à plataforma de desenvolvimento Workers, e aprender como aplicar esses recursos no seu contexto — seja você um network engineer responsável por acordos de peering, um CISO monitorando a superfície de exposição BGP da sua organização, ou um desenvolvedor querendo automatizar consultas de inteligência de internet via API. Vamos comparar com soluções tradicionais como RIPE Atlas, RouteViews e dashboards proprietários de CDNs concorrentes, e mostrar por que a integração nativa com o ecossistema Cloudflare coloca o Radar em uma categoria própria.

O que aconteceu: Radar Researcher, conectividade AS-level e WebMCP

No início de agosto de 2026, a Cloudflare anunciou simultaneamente três adições ao Radar que merecem atenção técnica. A primeira é o Radar Researcher — um assistente alimentado por IA generativa que aceita perguntas em linguagem natural e retorna gráficos interativos baseados nos dados da Radar API. A segunda é o novo widget de conectividade AS-level nas páginas de AS do Radar, que exibe um grafo direcionado mostrando como um sistema autônomo alcança as redes Tier-1, agregando todos os prefixos que ele anuncia e todos os caminhos BGP observados pelos coletores do RouteViews. A terceira é o suporte a WebMCP, um protocolo que permite que agentes de IA externos — rodando no navegador ou em servidores — naveguem pelo Radar, consultem dados e usem ferramentas como varredura de URLs e busca de domínios de forma programática.

Juntas, essas funcionalidades representam um Cloudflare Radar lançamento que reposiciona a ferramenta como uma camada de inteligência aberta sobre a internet, acessível tanto para profissionais que preferem uma interface conversacional quanto para aqueles que precisam de automação via APIs REST. O Researcher está em beta público e pode ser acessado diretamente pelo cabeçalho de qualquer página do Radar. Já os widgets de roteamento BGP estão disponíveis em produção para qualquer ASN, incluindo o AS13335 da própria Cloudflare e qualquer outro AS que você queira investigar — provedores brasileiros como AS8167 (Vivo), AS28573 (Claro) ou AS26615 (TIM) já podem ser analisados com o novo nível de detalhe.

A comunidade técnica brasileira deve prestar atenção especial ao WebMCP. Esse protocolo abre caminho para que assistentes de IA que operam em ambientes corporativos — como agentes de monitoramento de infraestrutura ou ferramentas de threat intelligence — consumam dados do Radar sem intervenção humana. Imagine um playbook de resposta a incidentes que, ao detectar um pico de latência para um destino na Europa, consulta automaticamente o Radar para verificar se houve uma mudança de rota BGP ou um incidente de conectividade no AS upstream. Com o Cloudflare Radar lançamento do suporte a WebMCP, esse cenário sai da ficção e entra no fluxo de trabalho real de um SOC ou NOC.

Do ponto de vista de engenharia de plataforma, o que chama atenção é como a Cloudflare está usando seu próprio ecossistema para construir essas ferramentas. O Radar Researcher foi desenvolvido inteiramente sobre a Developer Platform: Workers para a lógica de backend, Workers AI para o processamento de linguagem natural, R2 para armazenamento de dados e D1 para consultas estruturadas. É um exemplo prático do que chamamos de “dogfooding” — a Cloudflare usando seus próprios produtos para entregar features que, por sua vez, tornam o ecossistema mais valioso para os clientes.

O que é e como funciona: detalhes técnicos do Cloudflare Radar lançamento

Vamos dissecar cada componente deste Cloudflare Radar lançamento. O Radar Researcher é uma interface conversacional que traduz perguntas em linguagem natural para chamadas à Radar API. Você pode perguntar “Qual foi o volume de tráfego HTTP/3 no Brasil nos últimos 30 dias?” ou “Mostre a distribuição de bots versus tráfego humano na América Latina esta semana” e receber gráficos interativos que podem ser explorados, ampliados e compartilhados. O sistema entende contexto e sugere perguntas de acompanhamento — se você perguntar sobre ataques DDoS na semana passada, ele pode sugerir “Quais foram os países de origem desses ataques?” ou “Como esse volume se compara ao mesmo período de 2025?”.

O Researcher não é um simples wrapper em torno da API. Ele utiliza Workers AI com modelos de linguagem para interpretar a intenção da pergunta, selecionar os conjuntos de dados relevantes, escolher o tipo de visualização mais adequado (série temporal, gráfico de barras, mapa de calor geográfico) e gerar o gráfico correspondente. Todo o processamento acontece na edge, o que significa latência de resposta inferior a 1 segundo para a maioria das consultas. Além disso, o Researcher mantém um histórico de conversas pesquisável e permite compartilhar resultados via links — útil para documentar análises em runbooks ou relatórios de post-mortem.

Para perguntas sobre um gráfico específico que você já está visualizando no Radar, o botão “Explain with AI” inicia uma conversa contextualizada com os dados subjacentes daquele gráfico. Isso é particularmente útil para gráficos complexos como os de adoção de IPv6 por país ou tendências de ataques DDoS por vetor, onde as séries podem ser densas e a interpretação manual leva tempo. O assistente consegue identificar anomalias, calcular taxas de crescimento e comparar métricas entre diferentes períodos sem que você precise exportar dados para uma planilha.

Aspecto Detalhe
Produto Cloudflare Radar — Módulo Radar Researcher (beta) + Conectividade AS-level e Upstream Providers (GA) + suporte WebMCP
Disponibilidade Researcher: Beta público (todos os planos, incluindo Free). Widgets BGP: GA (disponível publicamente via dashboard e API). WebMCP: suporte ativo no Radar.
Caso de uso principal Inteligência de internet: análise de rotas BGP, visualização de hierarquia de trânsito, consultas em linguagem natural sobre tendências globais de tráfego, ataques, adoção de protocolos. Automação via WebMCP para agentes de IA em SOCs e NOCs.
Diferencial vs. alternativas Interface conversacional com IA integrada (vs. consultas SQL/manuais em RouteViews/RIPE Atlas). Visualização em grafo de caminhos até Tier-1 (vs. tabelas estáticas). Processamento edge com Workers AI. Dados oriundos da rede global Cloudflare (1 em cada 5 requisições HTTP).
Como acessar Dashboard: radar.cloudflare.com (Researcher no cabeçalho; widgets de roteamento nas páginas de AS). API: endpoints /bgp/routes/paths/{asn} e /bgp/routes/upstreams/{asn}/timeseries. WebMCP: agentes compatíveis podem navegar e consumir dados do Radar.

No front de roteamento BGP, o Cloudflare Radar lançamento introduz dois widgets nas páginas de AS. O primeiro é o gráfico de conectividade AS-level, que agrega os caminhos BGP que um AS usa para alcançar as redes Tier-1, unificando todos os prefixos que ele anuncia conforme observado pelos coletores do RouteViews. O grafo se lê da esquerda para a direita: começa no AS consultado e termina nas Tier-1, cada nó rotulado com número AS, país e nome da organização. Por padrão, mostra as conexões diretas mais os caminhos indiretos; um toggle “Show full paths” expande para todos os caminhos observados, incluindo trânsito por Tier-1 que o AS já alcança diretamente. Há um seletor de versão IP (IPv4 / IPv6), já que os caminhos podem diferir entre as duas famílias de endereços.

O segundo widget é o de upstream providers, que rastreia a participação de cada upstream direto do AS no total de caminhos observados ao longo do tempo. Visualizado como um gráfico de área empilhada, ele mostra até 10 upstreams como séries individuais e agrupa o restante em “Other”. Mudanças como adicionar um novo provedor, remover um existente ou balancear tráfego entre eles aparecem como deslocamentos entre as bandas. Isso é extremamente útil para auditoria de acordos de trânsito e detecção de alterações não autorizadas de roteamento — algo que equipes de segurança de rede no Brasil deveriam monitorar trimestralmente.

Antes deste Cloudflare Radar lançamento, um engenheiro que quisesse entender a hierarquia de trânsito de um AS brasileiro precisava baixar dumps do RouteViews, processar com scripts BGPdump ou PyBGPStream, filtrar por prefixos de interesse e manualmente construir visualizações. Com os novos endpoints de API — /bgp/routes/paths/{asn} e /bgp/routes/upstreams/{asn}/timeseries — todo esse pipeline é reduzido a uma chamada REST, com filtros para collector, limit e ipVersion. O tempo de análise cai de horas para segundos.

Por que importa: impacto para desenvolvedores, empresas e o ecossistema de segurança

O Cloudflare Radar lançamento do Researcher e das ferramentas de roteamento BGP não é apenas uma atualização cosmética. Ele ataca três pontos de atrito que profissionais de infraestrutura enfrentam diariamente. O primeiro é a democratização do acesso a dados de roteamento global. Nem todo time tem um especialista em BGP — mas todo time que opera serviços na internet precisa entender por que a latência para São Paulo aumentou 40ms de um dia para o outro, ou se o vazamento de rota que está sendo reportado no Twitter afeta seus prefixos. Com a interface conversacional do Researcher, um CISO ou um desenvolvedor backend pode obter respostas em segundos sem conhecer a sintaxe dos filtros do RouteViews.

O segundo ponto é a integração com o ecossistema de desenvolvimento Cloudflare. O Researcher foi construído sobre Workers, Workers AI e R2 — as mesmas ferramentas que qualquer desenvolvedor pode usar para construir suas próprias aplicações de inteligência de rede. Isso significa que os padrões de arquitetura usados internamente são transferíveis: você pode criar um Worker que consulta a API do Radar e alimenta um dashboard interno no Grafana, ou um Durable Object que mantém estado de monitoramento de rotas e dispara alertas via Queues. A Cloudflare está essencialmente publicando a receita de como construir ferramentas de observabilidade de rede sobre sua própria plataforma.

O terceiro ponto é segurança de roteamento. Sequestros de BGP, vazamentos de rota e ataques de interceptação de tráfego continuam sendo ameaças reais. Em julho de 2026, a LACNIC reportou um aumento de 23% em incidentes de BGP na América Latina comparado ao ano anterior. O widget de upstream providers permite que uma empresa monitore se suas rotas estão sendo anunciadas apenas pelos provedores contratados — qualquer aparição de um AS desconhecido como upstream é um alerta imediato. Combinado com o Magic Transit da Cloudflare, que protege redes inteiras via BGP anycast, esse nível de visibilidade fecha um gap crítico entre detecção e mitigação.

Para empresas que operam em ambientes multi-cloud ou híbridos — algo cada vez mais comum no Brasil com a maturação do Google Cloud São Paulo e AWS South America (São Paulo) —, entender os caminhos de trânsito entre seus ASNs e as Tier-1 é essencial para projetar arquiteturas de baixa latência e alta disponibilidade. O grafo de conectividade AS-level mostra, por exemplo, se os pacotes entre sua VPC na AWS e seu data center on-premises estão passando por um intermediário nos EUA ou se há uma rota direta via cabos submarinos como o Monet ou Seabras-1. Isso impacta diretamente decisões de peering e contratos de trânsito IP.

Comparativo e contexto de mercado: Cloudflare Radar vs. Alternativas

O mercado de ferramentas de inteligência de internet e monitoramento BGP é dominado por algumas alternativas consolidadas. O RIPE Atlas, mantido pelo RIPE NCC, oferece medições ativas de latência e traceroute a partir de milhares de probes globais. O RouteViews da Universidade de Oregon coleta tabelas BGP de centenas de peers e é a fonte primária para análises acadêmicas de roteamento. Ferramentas comerciais como ThousandEyes (Cisco) e Kentik oferecem dashboards de monitoramento de rede com granularidade por AS, mas a preços Enterprise que podem ultrapassar US$ 10.000 anuais.

O Cloudflare Radar ocupa uma posição única nesse ecossistema. Diferente do RIPE Atlas, que depende de probes voluntários com distribuição geográfica desigual (apenas 43 probes ativos no Brasil em agosto de 2026), o Radar extrai dados do fluxo real de tráfego da rede Cloudflare — mais de 30 terabits por segundo em horários de pico, com presença em todos os continentes e capilaridade que nenhuma rede de medição voluntária alcança. Contra ferramentas comerciais, o diferencial é o modelo de acesso: as funcionalidades básicas do Radar, incluindo os novos widgets BGP e o Researcher em beta, são gratuitas e não exigem conta Cloudflare para consultas públicas.

Comparado a outras CDNs que oferecem portais de status, como o AWS CloudFront (que fornece métricas internas via CloudWatch) ou Akamai (que tem o portal State of the Internet, mas com acesso limitado e sem API conversacional), o Radar se destaca pela abertura e pela profundidade dos dados de roteamento. A Fastly, concorrente direta no segmento de edge computing, não mantém um portal público de inteligência de internet comparável. O Radar é, portanto, ao mesmo tempo uma ferramenta de marketing técnico para a Cloudflare e um recurso genuinamente útil para a comunidade global de operadores de rede.

Do ponto de vista do mercado brasileiro, há uma carência histórica de ferramentas que ofereçam visibilidade granular sobre rotas que afetam a América Latina. A maioria das plataformas de monitoramento BGP tem viés de cobertura para América do Norte e Europa. O Radar, ao processar dados de mais de 300 pontos de presença (incluindo PoPs em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília), oferece uma perspectiva muito mais precisa sobre o tráfego que efetivamente passa pela infraestrutura de internet brasileira. Para provedores regionais e ISPs que participam do PTT.br (IX.br), essa visibilidade é um ativo estratégico.

Como configurar e usar: primeiros passos no Cloudflare Radar lançamento

Começar a usar as novas funcionalidades do Cloudflare Radar lançamento não exige cadastro ou assinatura. Para o Radar Researcher, basta acessar radar.cloudflare.com e clicar no ícone do Researcher no cabeçalho. Você será recebido por uma interface de chat similar ao ChatGPT, onde pode digitar ou usar comandos de voz para fazer perguntas sobre tendências de internet. Algumas consultas que geram resultados imediatos e demonstram o poder da ferramenta:

  • “Qual foi o pico de tráfego HTTP/3 no Brasil em julho de 2026?” — retorna uma série temporal com comparação mensal, útil para monitorar a adoção de QUIC em território nacional.
  • “Compare o volume de ataques DDoS na América Latina versus Europa no último trimestre.” — gera um gráfico comparativo que pode ser filtrado por vetor de ataque (DNS amplification, SYN flood, HTTP/2 Rapid Reset).
  • “Mostre a penetração de IPv6 no AS26615 (TIM Brasil) nos últimos 12 meses.” — útil para ISPs e empresas que precisam justificar investimentos em dual-stack.
  • “Quais países da América do Sul têm a maior adoção de bots maliciosos?” — combina dados do Bot Management com geolocalização, relevante para analistas de segurança e prevenção a fraudes.

Para os widgets de roteamento BGP, acesse a página de qualquer AS no Radar — por exemplo, radar.cloudflare.com/routing/AS13335 para o AS da Cloudflare, ou substitua pelo ASN da sua empresa ou provedor. O widget de conectividade AS-level aparece automaticamente na seção Routing, mostrando o grafo de caminhos até as Tier-1. Use o toggle Show full paths para expandir todos os caminhos observados; o seletor IPv4/IPv6 para comparar as duas famílias de endereços; e clique em qualquer nó para ver detalhes sobre aquele AS intermediário. O widget de upstream providers mostra a série temporal de participação de cada provedor no tráfego do AS analisado — se você notar uma mudança repentina em um dia específico, pode correlacionar com eventos como troca de link ou incidente de fibra óptica.

Para consumir os dados programaticamente, os novos endpoints da Radar API estão documentados em developers.cloudflare.com/radar. Exemplo de chamada para obter os caminhos BGP até Tier-1 para o AS da Embratel (AS4230):

curl -s "https://api.cloudflare.com/client/v4/radar/bgp/routes/paths/AS4230?ipVersion=IPv4" \
  -H "Authorization: Bearer SEU_TOKEN" | jq '.result.path_segments[:3]'

Note que as consultas públicas via API não exigem autenticação para alguns endpoints, mas consultas com maior granularidade ou volume podem requerer um token de API. Para integrar com WebMCP, agentes compatíveis podem usar o endpoint padrão do Radar como fonte de dados — a documentação do protocolo está disponível em developers.cloudflare.com/webmcp. Na JRT Technology Solutions, configuramos pipelines de observabilidade que combinam a API do Radar com Workers para alimentar dashboards em tempo real no Grafana e no Datadog, permitindo que nossos clientes corporativos monitorem rotas BGP e tendências de tráfego sem sair de suas ferramentas de operação assistida.

Impacto para o Brasil, latência e conformidade com LGPD

O Cloudflare Radar lançamento chega em um momento em que o ecossistema de internet brasileiro está se transformando rapidamente. Com a entrada em operação de novos cabos submarinos como o Firmina (Google) e a expansão do EllaLink conectando Fortaleza diretamente a Portugal e ao restante da Europa, as topologias de roteamento BGP na América do Sul estão mais dinâmicas do que nunca. Empresas brasileiras que hospedam serviços na nuvem precisam de ferramentas para entender se seus pacotes estão realmente tomando a rota mais curta — ou se estão sendo desviados por caminhos ineficientes devido a políticas de peering ou falhas de trânsito.

O widget de conectividade AS-level permite que um provedor de conteúdo brasileiro, por exemplo, visualize se seu tráfego para a Europa está passando pelos EUA (padrão comum para muitas rotas comerciais) ou se está utilizando rotas diretas via cabos transatlânticos. Em termos de latência, a diferença pode ser de 80ms a 140ms — o suficiente para impactar significativamente a experiência de usuários de aplicações de streaming, trading eletrônico ou colaboração em tempo real. Nossos especialistas em infraestrutura CDN da JRT Technology Solutions recomendam que clientes com presença no Brasil auditem seus caminhos BGP pelo menos mensalmente usando as novas ferramentas do Radar, especialmente após janelas de manutenção de provedores ou mudanças contratuais de trânsito IP.

Outro aspecto relevante para o mercado brasileiro é a privacidade de dados. O Radar trabalha com dados agregados e anonimizados — não há exposição de IPs de usuários finais ou payloads de requisições. Isso significa que as consultas ao Researcher e à API não conflitam com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), já que não envolvem tratamento de dados pessoais. Para empresas que precisam documentar suas práticas de monitoramento de rede em relatórios de conformidade, o uso do Radar como fonte de inteligência de internet é uma alternativa segura e auditável. Na JRT, orientamos nossos clientes a incluir o Radar em suas matrizes de risco de fornecedores de TI, destacando justamente a natureza agregada e não-PII dos dados exibidos.

O WebMCP também tem implicações interessantes para o ecossistema de startups brasileiras de IA. Com a crescente adoção de agentes autônomos para monitoramento de infraestrutura — uma tendência que vemos nos portfólios

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